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O discurso sobre o tema acima pode até não parecer pertinente a algumas áreas do conhecimento, devido ao fato de não ir de encontro a certas necessidades. Afinal, como se verá, trata-se de um tema que não traz dicas, orientações aplicáveis ou qualquer novidade importante para os dias atuais, como pode alguém supor. 

No entanto, trata-se de assunto que “faz pensar”, refletir, e isso nos dias atuais tem sido extremamente relevante: pensar para construir ideias próprias.

Atualmente, o que as pessoas mais fazem é pensar. Porém, são pensamentos, na sua maioria, direcionados a um retorno prático. Mas aquele “pensar” que retira do ser pensante a sua originalidade, que o diferencia dos demais, essa maneira de pensar está em falta no mercado.

O que se busca nesta reflexão, é o “pensar diferente”, ou melhor, o despertar para se pensar de modo diferente. E o que isso pode trazer de benefícios (pode perguntar alguém mais prático)?

A resposta virá ao final da leitura.

Pelo desenvolvimento da nossa história e cultura, fomos todos forçados e acostumados pela antropologia européia, a “entender” que as sociedades existentes na América na época da conquista pelos europeus, eram rudimentares, arcaicas, primitivas, sem nada a oferecer de conhecimento ou agregar valores à cultura do branco europeu. Por isso essas civilizações foram destruídas, subjugadas e subestimadas, acima de tudo, é claro.

Os europeus conquistadores encontraram grandes civilizações aqui na América, como os Incas, Astecas, Maias e outras. E as destruíram. Para o europeu, tais comunidades não possuíam mercado, escrita, história, Estado, moeda. Porém, para o antropólogo francês, Pierre Clastres, que estudou as civilizações antigas da América por um outro prisma, ou seja, ousou “pensar diferente”, constatou que nestas culturas havia sim uma escrita, não alfabética, não conhecida pelos ocidentais ou orientais, mas simbólica. Mostrou também que possuíam memória, história, que eram repassadas, ensinadas oralmente de geração a geração.

Porém, o mais interessante nas pesquisas de Clastres, encontra-se no fato de que as sociedades daquele tempo, não eram sem comércio ou sem Estado, mas sim, eram contra o comércio e o Estado. Estas sociedades estudadas pelo pesquisador, eram anteriores às indígenas da América do Norte e dos três grandes impérios do México. Elas se organizavam de um modo diferente. Não havia divisão de classes sociais, a propriedade era tribal. A chefia não era um poder de mando que as pessoas obedeciam, mas a sociedade decidia para si mesma.

O que fazia o chefe nestas sociedades? Doar presentes, promover a paz e falar.

Doar presentes: era devolver à comunidade o que ela mesma produzia, pois dessa maneira se impedia que alguém detivesse a concentração de poder.

Promover a paz: o chefe apelava para o bom senso das partes em conflito, para os seus sentimentos, e para a memória da comunidade.

Falar: nesse aspecto da cultura dessas comunidades surge o mais “estanho” para nós. O chefe detinha a Grande Palavra, onde todas as tardes se dirigia a um local distante, mas visível à comunidade e ali falava. Não dava ordens ou imprimia obrigações. O chefe apenas lembrava ao povo o que eram. E isso bastava para que aquelas sociedades tão rudimentares para nós, vivessem bem melhor que nós.

Conclusão?

Os ideais de igualdade, justiça, valores, e a busca por uma vida agradável é o desejo mais antigo da alma de qualquer ser humano.

Atualmente existe uma mudança acontecendo nas organizações em todo o mundo. Quando se fala em organizações, fala-se em empresas, sociedades, partidos, igrejas, escolas, instituições, família. Uma mudança que busca a igualdade, a oportunidade e a participação de todos os envolvidos. Essa mudança possui muito mais força que as mudanças tecnológicas, que as inovações dos produtos e serviços. Isto porque elas refletem um desejo humano tão antigo quanto o próprio homem: viver em uma boa sociedade.

Se a história fosse outra... e se os europeus não tivessem o pensamento da “superioridade” sobre outros povos; se tivessem dado a oportunidade do compartilhar, do aprender com o próximo, da troca de experiências e de culturas, quem sabe atualmente viveríamos uma outra história mundial.

Se a história fosse outra... quem sabe teríamos menos leis e mais homens de caráter. Teríamos aprendido há muito tempo que cada pessoa, organização, tem um universo de conhecimento à compartilhar e o equivalente à aprender.

E se a história fosse agora...?

De tempos em tempos a humanidade dá um salto. Foi assim na era das navegações, na era do advento industrial, está sendo assim hoje. Estamos vivendo o momento histórico da criação da próxima civilização mundial, segundo os grandes pensadores do nosso tempo. E se olharmos com um pouco mais de cuidado em torno de nós mesmos, teremos de concordar com eles.

Esse é o tempo de ensinar as próximas gerações o que é caráter, ética, respeito e paz. Entretanto, ensinar pela reprodução de modelo, pela tradição.

Esse é o tempo em que cada um deverá escolher o caminho a seguir - essa é a reflexão.

E se a história fosse outra, como seríamos? E se a história mudar hoje, como seremos ...?

“O homem é uma corda – atada entre o animal e o além-do-homem – uma corda sobre o abismo”. Friedrick Nietzsche



Bibliografia: Crocetti, Zeno. Ética e cidadania. Iesde.
Apêndice: Pierre Clastres, de 1934 – 1977 – importante antropólogo e etnógrafo francês da segunda metade do século XX.

Postador Raquel Michelline

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