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O termo “Sociedade do Conhecimento” vem de pensadores como Domenico de Masi(1) e Alvin Toffler(2), dentre outros, que foram uns dos primeiros teóricos que ao analisarem a sociedade pós-industrial perceberam que a era vivida hoje é a continuação em grande escala da sociedade industrial que se originou com a Revolução Industrial (XVIII e XIX).

A humanidade, sob seu aspecto econômico, acumulador de riquezas caminhava a passos lentos antes do advento industrial. O planeta era dividido entre reis e súditos. Entre os que possuíam terras e aqueles que laboravam na terra, mas não eram necessariamente seus donos. A Revolução Industrial trouxe uma mudança nessa realidade. Os bens de consumo passaram a ser produzidos em larga escala. Os objetos criados pela indústria passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas, os produtos como os bens móveis e imóveis passaram a ganhar cada vez mais valor. A fortuna de alguém passou a ser mensurada pela quantidade de prédios que possuía, pelo número de bens tangíveis que adquirisse.

Neste ponto, surge a necessidade de leis que regulamentassem o trabalho das pessoas. Na Europa e EUA, no auge da revolução industrial, era muito comum que as pessoas trabalhassem 16 horas ou mais por dia. Não havia dia para descanso e até mesmo as crianças realizavam uma carga horária de trabalho árdua e o próprio trabalho também era árduo, sem condições dignas que fossem proporcionadas aos trabalhadores.

Diante de uma nova sociedade que se formava com o objetivo de produção e de crescimento econômico, o humano era subjugado pela produção em larga escala.

As leis trabalhistas começaram a surgir em várias partes, muitas vezes à custa da vida de muitos trabalhadores que ousaram enfrentar uma nova realidade nunca antes vivida e que era explorada pelos grandes industriais.

Essas “revoluções” trabalhistas estouraram primeiramente na Europa e Estados Unidos e muito depois no Brasil, como foi o caso dos primeiros movimentos grevistas na época de Getúlio Vargas em 1930.

Entretanto, essa revolução industrial trouxe mudanças irreversíveis e gigantescas não somente na economia mundial, mas também no estilo de vidas das pessoas, das famílias, na maneira de se ver o mundo e na forma de se pensar a vida.

A revolução industrial foi muito além do imaginável humano. Muito além do que o homem pudesse idealizar. Essa revolução mudou os caminhos da humanidade e o interior das pessoas. Estas se tornaram muito mais rápidas em suas decisões e também mais volúveis. Mais designadas a adquirir bens e mais superficiais em seus sentimentos e emoções.

Social e emocionalmente, o homem se tornou mais ‘desestruturado’ quanto as suas emoções, por outro lado, mas ágil em seu raciocínio.

Afirmar, portanto, que a industrialização trouxe mudanças tão somente econômicas, é desconhecer a realidade da sociedade humana.

Tantas mudanças radicais culminaram com vários resultados que atualmente se vivencia. Entre tantos está a sociedade do conhecimento. Nesta o tempo é de revolução em todas as áreas sejam econômicas, sociais, religiosas, políticas, filosóficas e etc.

A tecnologia, que está em franco desenvolvimento, fez com que tudo se tornasse muito rápido, célere e consequentemente impulsiona tudo o mais com ela. A economia teve também de se adaptar aos novos tempos, mas nunca poderá acomodar-se. Perde-se e ganha-se dinheiro em fração de segundo através de movimentações financeiras ligadas em todo o mundo.

Alvin Toffler chega a se referir ao surgimento de uma “nova civilização humana”. Para ele esta revolução, denominada sociedade do conhecimento, teve início nos EUA por volta meados do século passado.

A sociedade do conhecimento é o que se vive nos dias atuais, e pode-se afirmar com certeza que mesmo sendo oriunda da sociedade industrial, ainda está no seu início. Ainda há muitas mudanças significativas a ocorrer na humanidade através do desenvolvimento natural deste novo tipo. E outras mudanças ocorrerão da transformação desta transformação, assim como a sociedade do conhecimento é a transformação da industrial.

Na sociedade do conhecimento os bens intangíveis ganharam importância. Não se tem apenas o capital financeiro, mas o capital intelectual. A riqueza não é mais avaliada tão somente pelo que se pode comprar ou vender, pelo número de bens, prédios, números de funcionários de uma empresa. A riqueza também se encontra, e cada vez mais, na capacidade de criação, na estabilidade emocional, capacidade de relacionamento, no equilíbrio para se tomar decisões. Esses tais são bens intangíveis.

Nas empresas o valor dos funcionários é avaliado pelo seu pensamento, pelas suas ideias, pela postura de como se relaciona com outros. A própria empresa passou a ter um capital intangível avaliado pelo modo de como se relaciona com seus clientes, fornecedores e funcionários.

A também denominada sociedade da informação está embutida nesta do conhecimento, pois esta gera aquela outra. O conhecimento, portanto, é dinâmico, ágil, pode ser transferido a outros e quando isso acontece, esse ‘outro’ já é capaz de transformar aquele conhecimento em outro saber e isso de forma infinita.

O conhecimento humano está ligado diretamente a dois grandes fatores: a capacidade nata do cérebro humano em apreender. Ou seja, qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo detém esse poder – o poder de conhecer. O outro fator está na aprendizagem, na educação, na capacidade de adquirir informação, ensino, e transformar, criar, a partir do que se aprendeu.

O conhecimento gera conhecimento, mas a grande questão é a aplicabilidade deste conhecer. Esta aplicabilidade deve ser certa para poder gerar bons frutos.

Este é o grande desafio da humanidade atualmente, diante da sociedade do conhecimento. Este é o desafio do Brasil.

Raquel Michelline: http://raquelmichelline.blogspot.com/

[1] Domenico Masi: sociólogo italiano da Universidade La Sapienza, de Roma.

[2] Alvin Toffler: escritor norte americano com doutorado em Letras, Leis e Ciência. Toffler é conhecido pelos escritos sobre revolução digital, revolução das comunicações e tecnologias.

Postador Raquel Michelline

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