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» » » » » » » » Admitir erros e pedir ajuda é positivo para a carreira

Em conversa com um grande amigo, ele me falou de um conselho que ouviu muitas vezes de seu pai: “Não tenha medo de dizer ‘eu não sei’, ‘eu errei’ “.

A vida seria mais simples se aprendêssemos desde cedo a admitir, sem medo, nossas falhas e limites – até publicamente, se preciso. Mas devemos reconhecer que essa é uma atitude difícil para a maioria das pessoas, principalmente nas relações de trabalho. Ali não há escolha, a não ser conviver com o jogo político, por vezes sofisticado ou até mesmo perverso. Ademais, a autodefesa faz parte da natureza humana.

Não se pode ignorar, no entanto, o fato de que quando alguém admite publicamente deficiências suas que são relevantes para o desempenho da equipe, o efeito sobre o grupo é justamente o contrário do que se teme. Passamos a confiar mais nessa pessoa e em seu trabalho. Mais do que isso, encontramos “brechas” de colaboração.

Ao contrário do que reza o senso comum, a coragem de dizer “não sei”, “não fiz”, “me equivoquei” ou “preciso de ajuda” pode ter, na verdade, um efeito fortalecedor sobre as pessoas: faz pensar e agir. Sobretudo em se tratando de líderes.

A falta dessa consciência se reflete em diversas atividades da empresa. Tomo como exemplo o processo seletivo. Os candidatos ouvem maravilhas dos entrevistadores sobre a organização. Faz-se um claro movimento para encantá-los e atraí-los. Eles, por sua vez, são supertreinados para encantar seus entrevistadores. Têm as respostas na ponta da língua – e entre elas não estão o “não sei”, o “errei”… De nenhum dos lados dá-se oportunidade para uma conversa mais franca.

Aí começa o problema. O candidato é aprovado, torna-se colaborador, executivo, funcionário – seja qual for a denominação usada na organização – e logo começa a perceber que a realidade é diferente daquela tão bem vendida no processo seletivo. E, não raramente, na empresa também se tem a percepção de que as competências e entregas do tão desejado candidato já não são tão diferenciadas.

Uma das grandes dificuldades da seleção, no sentido de não se alcançar o desempenho esperado, provém dessa prática de lorotas, da falta de franqueza de ambas as partes. A transparência no processo de seleção pode levar um candidato talentoso a se sentir genuinamente desafiado e motivado. Ele saberá que não se espera dele as competências de um super-herói.

Como líder, poderá admitir seus limites e permitir que sua equipe agregue competências às dele, no espírito de “um mais um é mais do que dois”. É óbvio que para isso, seja na seleção, seja na atuação como executivo, não se deve parar no “não fiz”, “me equivoquei”, “preciso de ajuda”. Admitida a falha, deve-se mudar o curso das coisas.

É preciso despir-se da arrogância típica dos bem-sucedidos. Reconhecer não apenas as forças, mas igualmente as fraquezas, é uma competência básica, que considero clássica, e que perpassa todos os movimentos da vida, profissional ou pessoal.

Nos processos de seleção – nosso exemplo aqui-, essa competência deve ser enfatizada já no momento de criação de expectativas. Isso ajudará a regular positivamente as relações ao longo da convivência.

Que tal encarar esse desafio? Dê a você mesmo a chance de mudar, de saber a hora de admitir que, como todas as pessoas, você não é perfeito em tudo. Você pode levar essa experiência para sua vida pessoal. Se é pai ou mãe, propicie aos seus filhos esse aprendizado. Incentive-os a desenvolver a rara qualidade de saber dizer “eu não sei” ou “eu errei”. Isso certamente os ajudará a se fortalecerem como indivíduos e a construírem um futuro mais leve e muito melhor.

Betania Tanure é doutora e professora da PUC Minas e consultora da BTA

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